quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

PARA REFLETIR: A SAÚDE PÚBLICA E O INFERNO

Charge: Adustina.NET
   
Desde criança aprendi que o inferno é o lugar para onde deveriam ir todos os pecadores irrecuperáveis. Imaginava o inferno como um lugar cheio de pessoas que desgraçaram a vida de muitos. Cheguei a pensar um dia fazer uma visita, antes de entrar no céu após a minha morte, só para ver prefeitos ruins, vereadores incompetentes, ladrões, corruptos, assassinos, pedófilos, funcionários públicos lenientes, opressores, traidores e toda espécie de raça perdida queimando naquelas coivaras generosas. Hoje, sei perfeitamente que o inferno é um hospital público e os que penam lá são exatamente os quase sem pecados.

Nos últimos dias, vários acidentes envolvendo motociclistas que insistem em desafiar a certeza não usando capacete e percorrendo altas velocidades na pista sinuosa da BA 393. Há jovens matando e morrendo. Muitos estão mutilados. Para piorar a situação, o Hospital de Urgência de Sergipe – HUSE - está abarrotado. Pessoas estão nos corredores esperando vaga para cirurgias e muitos estão sendo mandados para casa sem perspectiva de atendimento tão cedo. É o caos!

A vereadora Ana Dalva já peregrina por uma semana em busca de um local que possa fazer uma cirurgia de rompimento de tendões no joelho de uma adolescente. A prefeitura de Aracaju fechou as portas para pacientes do interior da Bahia e as barreiras são quase intransponíveis para realização deste tipo de cirurgia pelo SUS de Sergipe. Ana Dalva esteve em Salvador, no Hospital Santo Antônio, das Obras Assistenciais de Irmã Dulce. O único hospital da Bahia que atendia sem restrição, agora, com o SUS, não mais atende pacientes do interior diretamente. Terá que dar entrada num posto médico do município para entrar na fila do atendimento. Enquanto isso, a paciente sofre. Isto não é justo nem humano!

A grande verdade é que os prefeitos estão de braços cruzados esperando uma solução dos governos Estadual e Federal. Estão acomodados. Usam como argumento a falta de recursos, enquanto os recursos vão ralo adentro no esgoto da corrupção. Ano que vem, haverá novas eleições e muitos dos que hoje sofrem nos corredores dos hospitais ou nas filas de atendimento vão ajudar a eleger novamente muitos destes prefeitos e vão também usar como argumento o mesmo bordão: Todos os políticos são iguais! Talvez seja este um dos poucos pecados que cometem e estão pagando caro por isso.
(Por: landisvalth.blogspot.com/) 
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