segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

PARA REFLETIR: "ERA UMA VEZ, DUAS E..."

Apenas um pensamento:

Calçadão de Ipanema no Rio de Janeiro em uma noite muito quente do verão carioca. Conversava com meu amigo Estafandio Aritornado da Silva e Souza sobre sonhos e histórias que ficam em nossas lembranças por toda vida.

Quando de repente ele falou:

- Amigo! Quero te contar um sonho, aconteceu no mês passado, e não mais saiu da minha cabeça.

Estafandio seguiu contando seu sonho, sem que tivesse me dado tempo de falar qualquer coisa.

- No meu sonho, um senhor aparentando 70 anos, chorava sentado ao chão de uma rua qualquer, me aproximei e indaguei ao senhor:

- O senhor está passando mal? Posso ajuda-lo de alguma forma?

O velhinho respondeu de pronto.

- Não meu filho, estou bem. Apenas tenho lembranças do passado, recordo um dos maiores desejos que tive na vida, ajudado pela mão divina de Deus consegui realiza-lo...

Seguiu, o senhor, relatando sua história...

- Assistindo a celebração de uma missa no interior, bem distante de minha casa, observei um grupo de crianças se esforçando em ajudar ao padre. Tocavam e cantavam hinos religiosos, imaginei a formação de um grupo musical com os meninos. Precisariam de incentivos e novos instrumentos.

Conversei com amigos, elaboramos um projeto social objetivo, falamos com o professor de musica da cidade do interior e pedimos sua ajuda na orientação do grupo de crianças.

Com muitas dificuldades, mas bastante vontade, consegui com amigos da minha cidade a ajuda necessária para aquisição de 4 novos instrumentos de qualidade, completei o restante com meus recursos, comprei um baixo e recebi a doação de uma guitarra.

Levei pessoalmente todos os instrumentos, por cerca de 2.000 quilômetros, até a cidade do interior onde moravam as crianças. Fizemos a distribuição dos instrumentos e começamos os trabalhos.

No tempo certo, depois de muitos sacrifícios e despesas, realizamos uma grande festa na praça pública da cidade do interior.

Pensamos na festa como o melhor meio para apresentar o novo grupo musical ao público, deu certo a festa foi sucesso e o objetivo alcançado, as crianças se tornaram uma banda musical de boa qualidade.

Hoje eles se apresentam em grandes festas regionais, e na maioria dos eventos realizados na cidade do interior. Conseguiram sucesso na região.

Passou tempos, retornei à minha cidade, vivo minha vida, sinto saudades, tenho boas lembranças e torço pelo sucesso deles.

Há muito não tenho notícias das suas apresentações, e também não sei sobre a evolução musical daquelas crianças.

Outro dia ao acessar a internet em um blog daquela cidade do interior, em busca de notícias, me surpreendi.

As crianças se apresentavam em um evento local, e o blog transmitia tudo ao vivo.

Ouvi o show com muita atenção, fui envolvido pela alegria que dominou aquele momento. Quase ao mesmo tempo a tristeza chegou ao perceber que o grupo seguiu seu caminho sem dar importância as suas origens. Faltavam carinho e atenção aos amigos que propiciaram a criação e a formação do grupo. Não se preocuparam com as pessoas que, mesmo à distância, mereciam atenção e informações sobre a vida artísticas e também sobre as apresentações do grupo.

Ficou a lição da tristeza pela falta de consideração.

Hoje choro de alegria! A alegria da vitória! Consegui concretizar meu sonho, meu desejo e meu objetivo...

Disse o velho, e afastou-se em seguida."

 Estafandio parou de me contar seu sonho, em seguida olhando-me fixamente, perguntou-me:

- Seria possível isso ser verdade? Quero dizer, na vida real, isso poderia acontecer?

 Respondi ao meu amigo, com a voz branda e as palavras pausadas:

- Seria sim amigo! As pessoas se esquecem com muita facilidade e a ingratidão é uma das especialidades dos seres humanos.

Não se preocupe com isso. Não é maldade, é soberba, é absolutismo.

Um dia se lembrarão...

Em alguns momentos, quando estamos sozinhos, paramos para refletir.
Reflexões nos transportam a momentos passados de nossas vidas que ficaram gravados em nossa memória...

Por: Flavio Pereira.

7 comentários - Comente esta notícia clicando AQUI:

Ednaldo Batista disse...

Eu vivi uma eternidade suficiente para diferenciar a verdade da mentira, os sentimentos sinceros das vaidades e a razão do oportunismo. Agora assisto toda essa eternidade passar à minha frente e ao vivo.
Tem coisas que não precisam de comentários e sim de aplausos.
Muito bom! Uma verdadeira aula de sabedoria e experiência.

Tereza disse...

Não é apenas um pensamento, não é apenas uma reflexão. É apenas a verdade escrita de forma simples, bonita, poética e didatica como fazem muitos professores modernos ao passar mensagens para os jovens.
Mais uma vez parabenizo o senhor pela forma bonita de viver, bem ao seu estilo segue aprendendo e ensinando.

igor santana santos disse...

VocÊ que nunca deu a minima pra gente e agora so por que nos deu violões de boa qualidade , num vsi poder ficar nos criticando so por não falar seu nome nas apresentações.

eu sou um desses 4 garotos e sempre se lembramos de vc e foi vc que nunca deu importância os únicos foram
rosildo, acrízio e wiliam q sempre estiveram ao nosso lado nas horas boas e difíceis. e SEUS INSTRUMENTOS DE QUALIDADE , serão devolvidos.

Douglas disse...

O garoto não deve ter entendido ou deve ter sido orientado errado. Na narrativa, em momento algum, houve cobrança e sim sentimentos. O fato de falar nome ou não é muito pequeno, é mesquinho. Na realidade os sentimentos são construidos com carinho e com amizade. Acredito que o autor deve ter lamentado a falta de notícias como informações das datas dos shows e a participação sobre a evolução para que ele pudesse acompanhar, e isso não caberia aos garotos e sim aos coordenadores do grupo.
Quanto a dizer que ele nunca deu a mínima para os garotos, isso é só mais uma injustiça. Se alguém além das famílias, um dia, se preoculpou com esses garotos, com certesa essa pessoa foi o autor do texto.
De qualquer forma o que importa é a história e essa foi construida com fatos que todos nós acompanhamos passo a passo ao longo do tempo.

Flavio Pereira disse...

Agradeço à todos que comentaram essa matéria, o Sr. Ednaldo Baptista, a Sra. Tereza, o jovem Igor Santos e ao Douglas.
Tenho o maior respeito por todas as opiniões, as que concordaram com a matéria e principalmente com a opinião do jovem Igor, aprendi que crescemos na vida ouvindo e respeitando à todos, prós e contras.
Aos homens cabem os acertos e também os erros, muitas vezes acreditamos estar fazendo o certo, mas acabamos errando. Por isso, para mim, todas as apiniões são impotantíssimas.
Prometo que vou analisar com muito cuidado e atenção minha consciência e não terei dificuldades em corrigir meus pensamentos caso realmente eu tenha errado.
À todos vocês o meu muito obrigado pela atenção e opiniões, em especial a você Igor o meu mais sincero carinho, tenho por você e seus colegas o maior respeito e amizade. Nem sempre a vida nos permite estar juntos ou aonde gostariamos estar, mas sempre estive presente de coração.

Flavio Pereira.

Luiz disse...

Gostaria de enfatizar aqui, as sábias palavras do "Douglas". Concordo com você, talvez estas fossem as minhas palavras. Mas, já que você as escreveu, deixarei meu complemento, como segue:

É uma pena as crianças serem utilizadas para expressar sentimentos de adultos, como é o caso deste jovem Igor.

O autor do texto, o Sr. Flávio, foi muito prudente em suas expressões, digno de um homem sábio.

Portanto, não vistam a carapuça, ela só serve em quem a quer colocar.

Se de fato essa história representar alguma outra semelhante, não haveria nada mais justo que as crianças e os coordenadores do grupo prestarem, não satisfações, mas sim humildade em compartilhar com um dos idealizadores, o fato de como está o grupo, de como vão as crianças, como o projeto está andando... E seria de uma simpatia sem igual, citar o nome de um dos idealizadores de todo este projeto. Afinal a ASFA não nasceu órfã.

Adustina, tem uma fase pra marcar em sua história, ela é: antes e depois do surgimento da ASFA. Isto é, se é que atualmente ela ainda permanece com toda sua força de agregar valores e dar dignidade a crianças de nossa estimada terra.

Ao Sr. Flávio, resta-me humildemente dizer: Obrigado por ter vindo aqui conhecer nossa cidade e ter deixado tantas sementes das mais váriadas espécies, hoje dando frutos. Mas precisamos que os cuidadores as mantenham devidamente irrigadas para que os frutos sejam bons... senão, enfim... senão... os frutos não terão futuro amanhã.

Forte abraço de um humilde admirador da ASFA.

Flavio Pereira disse...

Ao amigo Luiz.
Muito obrigado por sua manifestação de amizade e respeito.
Atualmente passo por momento muito difícil, com um grave problema de saúde na família, impedindo que eu me ausente da cidade do Rio de Janeiro.
Quando possivel gostaria de agradece-lo pessoalmente pelo privilégio da sua amizade.

Flavio Pereira.

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